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mais um trecho de meus contos >As lágrimas da perfeição (anjho rocco)

 O poeta

Ele estava em seu quarto. Olhava para os livros como se procurasse alguma coisa em especial. Olhou cada titulo que tinha. Abriu um livro qualquer e começou a folea-lo. Não encontrou nada de interessante. Sentou perto da janela, diante sua mesa onde fazia arte. Olhou ao longe paro o roseiral de sua mãe. Sentia o doce perfume das rosas, mas queria ultrapassar o jardim, ir alem daquele horizonte.
Ele levantou-se foi até seu criado-mudo abriu a gaveta do meio e retirou seus pinceis e tintas. Voltou à mesa, colocou seu material sobre ela e se sentou para admirar o horizonte. Fechou os olhos para sentir o perfume das rosas. Depois de um tempo ergueu o braço sobre o papel. Daí começou seu trabalho, a cada traço que dava ele viajava entre o céu e o inferno. Logo viu um rosto se formando sobre o papel. O rosto já estava quase pronto. Neste rosto havia grandes olhos verdes, carregados de uma terrível magoa que chegavam a penetrar na alma do jovem pintor.
Ele ficou admirando sua obra, um menino dos olhos tristes. Não sabia o porquê da tristeza daqueles olhos, mas desejava sabê-la mais do que qualquer coisa no mundo. Não encontrou resposta, debruçou-se sobre a mesa para admirar o roseiral e o horizonte.
Da janela veio um vento forte, como se não fosse apenas um vento comum, era um vento carregado de energia negativa e areia. Fez com que se quebrasse um vidro da janela. Ele levantou-se e começou a catar os cacos de vidro. Encontrou um pequeno pedaço de vidro, perfeitamente quadrado. Colocou na palma da mão. Sentiu correr um vento frio por todo seu corpo. Apertou o vidro contra a mão, sentiu o corte e o sangue. Pegou o vidro e colocou sobre o criado, levou a mão à boca para sorver o sangue, fechou os olhos, sentiu como se ele fosse aquele menino dos olhos tristes, sentiu como se seus pulsos fossem cortados, sentiu seu sangue escorrer em suas orelhas sentia a dor dos cortes e não conseguia abrir os olhos. Quis buscar dentro de si aqueles olhos, eram olhos tristes e verdes. Quando finalmente alcançou os olhos ele caiu inconsciente. Acordou depois de alguns minutos, levantou-se sentou perto da mesa, passou a mão sobre o rosto do menino dos olhos tristes, viu surgir,conforme sua mão corria o desenho, uma risca de sangue sobre a imagem. Assustado levou a mão diante de seus olhos para ver se estava sangrando. Não havia nada na mão, não havia sinal de sangue, nem ao menos o sinal de corte, olhou para janela e viu que não havia vidro algum quebrado, voltou-se para figura do menino e não havia mais mancha sobre ele.
Então ao final ele escreveu:
“um menino dos olhos tristes” de Aeht-bram  
 ( para o poeta que me disse que os homens são vermes na terra)

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